05
abril
2016

Os lixos da minha casa

Postado por Ana em Ana de Casa

Engraçado um post de lixo, né? Mas é mais para mostrar como é a questão do lixo aqui na Alemanha. É bem diferente do Brasil e com algumas particularidades. Minha experiência “em Alemanha” inclui Freiburg, Frankfurt e Kiel (sul – meio – norte). Então imagino que a questão do lixo seja meio constante no país.

São cinco tipos de lixo para você dividir em casa. Há toners de cada lixo do lado de fora da casa (ou no quartinho de lixo do prédio) que são esvaziados em frequencia variável.

1) O lixo de papel : papel, papelão. Lembrando que quando você vai desová-lo no quartinho de lixo (no toner grande) tem que estar meio picado. Nada de jogar caixas inteiras. Daí imagina o saco que é quando você compra um móvel e tem que ficar picando aquela caixa enorme com suas mãozinhas.

2) O lixo orgânico (“Biomüll”): basicamente, resto de comida. O saquinho também tem que ser biodegradável, aqui tenho os dois abaixo. O chato é que ele “derrete” muito rápido e, mesmo descendo com ele todos os dias, ele acaba sujando minha lixeira. Mas felizmente tenho minha solução de limpar lixeirinha! :)

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3) O lixo “amarelo” (“Gelber Sack“) que é onde você joga embalagens de plástico e metal. Eu sempre tiro resíduos de comida das embalagens e até passo água mesmo. Porque o saco é grande e não quero minha cozinha com cheirinho ruim. Nele vão poucas garrafas, pois a maioria das “PET” e de vidro são “caução” – daí você devolve na máquina do supermercado e ganha o dinheiro de volta. Ah, os sacões amarelos não precisa comprar, são dados no supermercado, prefeitura, etc. Eu levo pra baixo quando enche mesmo.

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4) O lixo “resto” (“Restmüll“). Para todas as outras coisas. Esse é o “lixo da dor de cabeça”, e é ele que determina o quanto você tem que pagar por ano. Por exemplo, aqui em casa pagamos por um toner de “lixo resto” lá em baixo que comporta 35 litros e é esvaziado a cada duas semanas. É só pra nós dois e fechado a chave! Para nós dois funciona super bem, desde que separemos o lixo orgânico (você até pode jogar orgânico no “resto”, mas estará gastando seu espaço à toa). Aqui em Freiburg, já faz uns meses que pararam de recolher o lixo do toner caso a tampa não feche. Dada essa nova regra, houve uma verdadeira pane do lixo no meu prédio certo mês. O pessoal simplesmente não conseguiu se organizar com o próprio “lixo resto”, afinal tinha vizinho com bebê pequeno dividindo toner mínimo com outros, claro que não dava. Virou uma verdadeira guerra do lixo. Mas como temos nosso toner pequeno mas só nosso (trancado a chave), não tivemos dificuldade, mas nos afetava ter que atravessar um mar de lixo para chegar até os toners. :( Outra coisa é que aqui o lixo é recolhido sábado e se for feriado eles simplesmente “pulam” aquela semana e você tem que se virar. Ou seja, tem hora é que difícil administrar nosso lixo por aqui. Ah, lembro que lixo do banheiro vai pra essa categoria também – mas aqui não se joga papel higiênico no lixo, mas sim na privada. Lixo de banheiro é para fio-dental e afins.

5) Vidros: os vidros que não são “caução”, tipo garrafa de vinho, azeite – você desova em um toner coletivo perto de casa. Tem um a um quarteirão daqui – lá tem a divisão por cor de vidro (marrom, branco, verde). Espero juntar algumas garrafas e levo de uma vez.

Taxa do lixo

Como mencionei acima, tem que pagar a “taxa do lixo“. Ela é paga anualmente e depende do tamanho/recolhimento do seu toner de “lixo resto” – aqui em casa pagamos 149,88 euros (cerca de 600 reais) em 2015. Quanto maior a família, mais espaço você vai precisar e mais caro fica. Meus lixos ficam na cozinha mesmo, escondidos por uma cortininha. Tem um toner branco que comprei na Ikea que é onde encaixo o saco amarelo . Tem uma cesta não sei de onde pra papel. E outro com dois compartimentos – um para o lixo biológico e outro para o lixo resto.

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Confesso que não sou das pessoas mais ecologicamente conscientes e tem hora que essa separação enche o saco! Quando vou pra Beagá e vejo aquele tonerzão pra gente jogar tudo misturado me dá uma inveja! Minha família até tenta separar de vez em quando, mas chega o caminhão de lixo e mistura tudo mesmo… nem vale a pena.

Beijos!

04
abril
2016

Como aprendi alemão

Postado por Ana em Alemanha, Coisas da Ana

Eu tenho impressão que minha história com a língua alemã é bem diferente do que muitos pensam. Bem menos admirável e inspiradora, pois quem me pergunta isso geralmente tem um objetivo e quer aprender logo! :) O ano era 2003 e eu tinha acabado de passar no vestibular. No ano anterior, quis aprender francês, mas por causa dos estudos não tinha como. Minha irmã me copiou e, teimosa que sou, mudei de idéia. Pensei: “vou então aprender uma língua bem diferente do português”. Como sempre gostei de coisas da Rússia, me decidi pelo russo. Na época, procurei escola/professor de russo em BH e não achei! Daí, um dia, vi um ônibus passando com a propaganda do Cultura Alemã em BH. “Hummmm, alemão, por que não?”- fui lá e me matriculei.

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A forma como estudei alemão foi bem diferente de como estudo línguas hoje (tema para outro post). Eu não tinha nenhum objetivo envolvendo a Alemanha. Eu sequer tinha curiosidade de vir para cá (que veio depois graça às lições de comida dos livros). Muito pelo contrário, queria que fosse meio uma “slow food” no aprendizado de línguas. A faculdade era bem puxada nos primeiros dois anos e o sábado de manhã era minha catarse. Eu gostava de levantar e ir pra aula – gostava dos meus colegas, que aliás foram diversos ao longo de todos os anos. Adorava a pausa da manhã pro salgado na lanchonete da esquina. Quando a aula era cancelada por algum motivo eu ficava triste de verdade. Uma coisa tenho que dizer: aula em grupo é a forma mais lenta de aprender línguas, caso seja a única forma de estudo. Quem não sabe disso, fique sabendo. Eu não fazia muito esforço em casa – lembro que fazia meus deveres de casa e repassava o vocabulário das lições (que são percorridas super vagarosamente). Eu nem tinha muito tempo porque tinha que estudar pra faculdade à noite! Uma coisa que realmente sempre gostei de fazer foi procurar algumas músicas na internet. Mas fora isso, zero dedicação extra nos primeiros dois anos. Lembro que, após o primeiro semestre, a professora me falou “Ana, seus colegas vão fazer curso de férias, você não quer fazer?“. Eu respondi “Ah, não, não tenho pressa, nem planos de Alemanha“. Acho que tinham uns 14 níveis lá no Cultura Alemã – eu fiz doze pois “pulei” dois quando fiz meu intercâmbio de um mês em Colônia.

Fluência?

Então é por isso que, quando recebo a pergunta “depois de quanto tempo você ficou fluente em alemão?” acho super difícil de responder. Foi um processo muito vagaroso – e por opção minha – não sofri nada por causa da língua. Achei o alemão básico fácil de aprender. Já o alemão avançado e suas nuances, acho muito difícil. Sei que, 3 anos depois, em Colônia, eu me virava bem em alemão (B1/B2) – mas não com muita facilidade, principalmente para ouvir – que foi uma parte fraquíssima da minha escola. O conceito de fluência é complicado. Para começar, ser fluente não significa não cometer erros. Para mim, significa se virar bem sem apertos. Geralmente, quem insiste muito na palavra “fluente” ainda não sabe muito do aprendizado de línguas. E, para ser sincera, eu me senti realmente confortável com a língua em algum momento de 2015. Foi quando eu soube que, se alguém dirigisse a palavra a mim, eu ia entender. Antes era sempre uma incógnita se eu ia entender a pessoa ou não. Meu “ouvido” foi a última parte a se desenvolver bem.

“Métodos”

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Fora o curso tradicional que mencionei, fiz um mês de curso em 2006 no finado Eurocentres de Colônia. Em 2010, um curso de 2 meses na Volkshochschule em Kiel para preparar pro Testdaf. Em algum momento em 2010 fiz dois meses de aula particular com um professor (péssimo) em BH. E foi essa toda minha experiência com aulas. Os livros no Cultura Alemã eram na época o Themen Neu, que depois virou Themen Aktuell e uma série do EM. Não gostava do livros do EM, mas a gramática de exercícios deles foi a minha favorita. Quando comecei a fazer “esforço extra-aula”, após uns anos, foi lendo livros, vendo TV, comprando gramáticas de exercício, lendo notícias, falando, ouvindo, ou mesmo através de materiais para aprender outras línguas. Em um momento era viciada em comprar livros infantis, bem bobos mesmo (mas em termos de vocabulário nem são os mais fáceis de ler). Já tive época de dar download em tudo quanto é app (tipo buzuu, algo assim). E, atualmente, aprendo muito trabalhando. Realmente houve uma época em que comprava uma quantidade absurda de material e ia fazendo em casa mesmo… a maioria esmagadora atualmente está em BH, por isso não tinha muita coisa pra tirar foto. :) Também já fiz muita coisa do site da Deutsche-Welle(que, aliás, tem um curso magnífico) e em uma época imprimi muita coisa de lá, algumas lições que fazia e ia estudando. Até hoje os sigo no facebook e assino a Newsletter, adoro! Já a DW-TV (canal de TV) que tem no Brasil sempre achei uó e nunca consegui assistir. Também sigo outras páginas no Facebook, como o excelente Quero Aprender Alemão. Em relação aos dicionários: acho que fiquei uns três anos só com mini dicionário Michaelis, depois passei pros Langenscheidt. E já faz muitos anos que uso o site/app dict.cc ou Duden Online ou mesmo Wiktionary. Perdi completamente a paciência com dicionários de papel, he he!

Mudar para a Alemanha faz aprender mais rápido?

Só se você estudar. Engana-se quem pensa que morar na Alemanha garante aprender a língua. Eu mesma achava que isso era uma verdade. Até mesmo após mudar para cá, achei que ia “melhorar de graça”. Pois em 2014 minha evolução foi ínfima. Melhorei mesmo quando comecei a trabalhar. Não é uma língua que se aprende por osmose para nativos do português. Eu consigo imaginar facilmente uma pessoa morando dez anos aqui sem aprender direito, caso não estude. Tenho pacientes de outras nacionalidades que moram aqui há 30 anos (!) e mal falam alemão. Por outro lado, super concordo com o Benny. Se for realmente seu objetivo e você “trabalhar com isso”, você consegue atingir um bom nível em três meses. Mas tem que ficar por conta e se esforçar muito.

É isso, sempre recebo essa pergunta e sei que a resposta é muito menos formosa e mágica do que muitos pensam, mas eis aí como foi! ;)

Beijos

03
abril
2016

Unidas contra o chulé

Postado por Ana em Pés

Já perceberam que eu tenho mania de produtos para o pé? Talvez por ser ex-chulezenta. Enquanto eu estava na escola de tênis + meia, não foi lá um problema. O problema maior foi um pouco depois, quando eu usava sapatos de material errado (oi Melissa e sapatos de couro-plástico da feira hippie) e muitas vezes por vários dias seguidos. Pindaíba estudantil, né, gente?! Não me atentava a enxugar bem entre os dedos após o banho e sempre esquecia dos produtos anti-chulé. Estava dada a receita pro chulezão. Sei que alguns amigos devem ter sofrido com isso e já peço desculpas, hehehe. O mais difícil foi aceitar que, uma vez impregnado com chulé, o sapato está perdido. Lembro de tentar salvar alguns passando até Lisoform, mas não tem jeito mesmo! Só comecei a melhorar quando os fui jogando fora os “contaminados” e sempre tomando cuidado pra não contaminar os outros. Tipo, criei o hábito de só calçar um sapato se o pé estivesse limpo. Daí até comecei a deixar uma toalha separada pros pés – secar bem entre os dedos virou mania. Caso use meias, não uso mais de um dia jamais (minha gaveta abarrotada de meias e o cesto de meia sujas falam por si só ). Criei também o hábito de usar produtos específicos. E, olha, eu nem tenho hipersudorese não, viu? Era só uma sucessão de hábitos errados. Hoje em dia eu brinco que dá pra você almoçar num sapato meu, hahaha, e tenho orgulho disso. Pra quem sofre com o problema, vou resumir as dicas:

1) Jogar fora sapatos contaminados e cuidar para não contaminar os novos

2) Nunca calçar sapato de pé sujo e/ou úmido

3) Evitar material sintético tipo Melissa, ou pelo menos não usar por dia seguidos

4) Evitar usar o mesmo sapato todos os dias

5) Enxugar dedo por dedo após o banho.

6) Não usar meia por mais de um dia seguido

7) Usar algum produto específico

Eu já usei muito desodorantes, tipo esse da Dr. Scholl e ainda uso às vezes, mas acho que ressecam muito o pé.

scholl

Em relação aos talcos: acho que o pioneiro era o Tênis Pé Baruel, mas como eu usava irregularmente, não tenho lá boas lembranças. Gosto muito do talco anti-séptico da Granado, mas para deixar nos sapatos. Não aplico direto no pé não, porque faz muita bagunça. Inclusive, quando tiro o sapato já o deixo com o talquinho para a “próxima calçada”. Ele foi meu fiel escudeiro nos últimos 5 anos, mas pelo mesmo motivo de ressecamento, tenho preferido só usar talco com botas ou sapatos com os quais uso meias. Ou em algum dia muito quente, etc.

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Só que atualmente o meu preferido é esse pó “cremoso” da Granado. É ótimo, mesmo cheirinho bom e não resseca o pé. A desvantagem é que se você passa com a mão o cheiro gruda muito na mão, por mais que você lave, então prefiro usar um disquinho de algodão ou lencinho de papel pra passar.

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E aí, gostaram das dicas?

Beijos!

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