Em 2005 conheci a botinha perfeita da Schutz. Era uma botinha de couro, salto quadradinho de borracha, pela qual na época paguei abusivos 300 reais. Foi difícil decidir a cor, mas a minha era creme, mais clara do que a da foto. Minha amiga tinha uma preta.

Pois bem, valeu cada centavo. Essa bota pra mim era igual tênis; eu me sentia confortável pra sair correndo com ela. O salto não tão alto, não tão pequeno, quadrado, de boa aderência. De durabilidade extrema, essa botinha sobreviveu a numerosas viagens. Manteve meus pés aquecidos até a temperatura de menos 5 graus Celsius. Sobreviveu ao lamaceiro do meu internato rural. Todo ano essa bota aparecia em lojas revendedoras da Schutz lá para abril e, de repente, sumiam, tamanha era a procura. Posterguei minha nova compra, e no final de 2008 minha botinha morreu ! Desde então procuro loucamente pelo modelo, cujo nome nem sei ! A Schutz me lança uma coleção de inverno 2010 sem minha amada bonitinha ! Para retratar minha angústia, fucei todo o google images até encontrar um ser da mesma espécie em um site de brechó, essa da foto que coloquei na imagem.
Alguém viu a botinha de couro da Schutz?

Nossa história começa em um belo dia em que me deparei com a famosa Água termal da LaRoche-Posay, essa aí, ó:

Paguei sei-lá-quantos reais por ela, por mais que meu lado racional-científico falasse “não compre, não compre!“. Mas instinto de mulherzinha, sabe como é ! Fui lá eu levar meu produto novo para casa, toda feliz, para testar.
No primeiro dia à noite, antes de deitar, dei aqueeeela sprayzada na minha cara. Que delícia ! Aquelas microgotículas batendo em meu rosto em um dia de verão, refrescante, sem cheiro, do jeito que eu gosto. E nem precisa sacudir antes de usar… Fiquei toda entusiasmada e então pensei : “noooossa que sensação divina, já sinto minha pele mais hidratada…é como, é como… borrifar água na cara com um spray…. annnnnnnnnn?????? Paguei $$$$ por água num pote? Que m….”
Daí surgiu a inspiração para esse post maluco, sobre um tema controverso, quase matemático, inimigo das pesquisas científicas – o efeito placebo – e mostrar a minha opinião sobre a água termal que é a seguinte: ela pode funcionar sim, mas acho que a maior parte da sua ação é placebo.
Atualmente, diz-se que placebo é uma substância inerte ou inativa, a que se atribui certas propriedades e que, ao ser usada, pode produzir um efeito que suas propriedades não possuem. O que realmente acontece é que alguém pode ingerir uma pílula de farinha e obter melhoras em uma doença, se achar que está tomando o remédio certo.
Já o efeito placebo é o nome que se dá ao resultado que se pode observar e medir, em uma pessoa ou em um grupo de pessoas, diante de um tratamento onde o placebo foi administrado. Esse efeito realmente existe, olhe bem a minha versão daquele famoso experimento com o cachorrinho:

Viram? Apesar de receber adrenalina no final, o cachorrinho passou a desmaiar só de ouvir a campainha. No ser humano, esse efeito é ainda mais poderoso, pois além do sistema de sinais, ele possui a linguagem, que aumenta as possibilidades de condicionamento. Se eu ler várias revistas falando que “a água termal é mágica” eu vou provavelmente sentir seu efeito benéfico. Esse deve ser um dos princípios da publicidade.
De volta à água termal cosmética, você borrifa água na sua cara e depois jura que ela fica macia ! Sua propaganda diz em sua defesa que elas são ricas em sais minerais como cálcio, ferro e magnésio. Tá, mas e daí? Ou você pensa que a água da sua torneira é livre de minerais?
Não foi meu objetivo ofender ninguém, obviamente. Esse é meu espaço e essa foi minha opinião. Aliás, quem gostar de água termal e quiser uma alternativa mais barata, recomendo ir pra Caldas Novas em Goiás e encher uns baldes daquela deliciosa água termal. YES, NÓS TEMOS ÁGUA TERMAL.

Pra vocês verem o poder do placebo… se você adora sua água termal e acreditou em tudo o que eu escrevi, hoje mesmo sua água vai parar de deixar sua pele macia…
Beijos!

